
Os impulsos são como os autocarros. Ou então como bolas de sabão.
Os impulsos são próprios de almas desassossegadas, cheias de vontade.
Há impulsos e impulsos: uns temos que apanhar e seguir, outros temos que deixar passar. São um bocado como os autocarros, mas mais aleatórios, porque não têm hora para chegar nem caminho a seguir. Têm sempre um destino, só que, ao contrário do que acontece com os autocarros, nem sempre sabemos exactamente qual é.
É isso, os impulsos são como os autocarros. Uns vêm e outros vão. Temos mesmo que os escolher e deixar passar uns quantos até apanharmos o impulso certo.
É que os impulsos podem ser decisivos e perigosos. Se apanharmos o impulso errado, podemos arruinar a relação mais perfeita, destruir o mais belo caminho, tomar a pior decisão. No fundo, apanhar um impulso errado é como seguir um caminho que não era o nosso e só foi por descuido do destino. Porque os impulsos são obra do destino. Partidas!
E quando, às vezes, deixamos passar o impulso certo, ele voa muito alto e rebenta mesmo à nossa frente, e depois, mesmo que corramos, já não vamos nunca a tempo de o apanhar. Ou então rebenta-nos na mão. Como as bolas de sabão, mas essas vêm sempre aos magotes. Já os impulsos… Às vezes vêm muitos, muito seguidos, não temos tempo de respirar, quanto mais de os seleccionar! E acabam por rebentar todos, lá em cima, fora do nosso alcance, mas bem à frente da nossa vista, para ficarmos a saber o que é que perdemos. Outras vezes, é preciso esperar um bocadinho mais para vir outro impulso ou, pior, para seguir outro impulso.
Para seguir um impulso, eu acho que é preciso coragem. Por isso é que só as almas do desassossego que estão sempre à procura de mais e melhor e nem se importam com o medo e as outras, cheias de vontade e de desejo, corajosas são capazes de reconhecer um verdadeiro impulso e de o seguir. Reúnem o que for preciso para o seguir (e às vezes é tanto!) e vão à luta, pelo impulso certo! Sem pensar duas vezes.
No que toca a impulsos, não há, sequer, tempo para pensar. Por isso é que são impulsos: não se pensa se os queremos na nossa vida ou não, se os queremos seguir ou não. Seguir um impulso é seguir o mais profundo desejo do nosso ser, é como seguir um instinto.
Os impulsos são praticamente animalescos, de tão instintivos que devem ser. Também podem ser assustadores e com o tempo deixamos de os ouvir. É quando deixamos de ouvir o que queremos e deixamos de ser almas rebeldes. Almas que seguem o que a vontade manda.
Eu tenciono manter esta minha alma desassossegada e feroz, alma de pássaro sonhador, rebelde e impulsiva, seguir o que manda a primeira voz, nos momentos certos, sempre.
Até quando?

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